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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aaahh saudade!


Eu não sei sentir saudade. Verdade seja dita eu não sei muitas coisas mas saudade é uma na qual sou especialista em não saber. Eu sofro. Mas sofrer de saudade é normal, afinal, você sente falta de algo/alguém querido. É pior que isso. Eu fico triste, deprimida e com raiva. Muita raiva. Eu sinto traída, abandonada. Meu mau humor atinge níveis inimagináveis e eu passo a detestar a vida. Não são as coisas que ficam sem graça. Eu fico sem graça, eu não vejo graça. Minha paciência de extingue e minha concentração também. Eu me torturo com sessões de stalker só pra saber se sentem tanta saudade quanto eu, se sofrem, imaginam, sonham, esperam como eu.  É claro que não! Os outros são pessoas equilibradas e emocionalmente estabilizadas. Por que elas perderiam a fome, o sono por saudade? Não, é claro que não. Elas não são assim, ou se são fingem bem. Tai o meu problema: eu não sei fingir. Juro que tento, mas não consigo. Fico a repetir o mantra “tudo bem, a ausência de hoje amanha será substituída pela presença”. Aaahhh quem dera isso fosse verdade. Eu tenho um mês me acostumar a ausência de quem era constante, um mês pra encontrar um ponto de equilíbrio pro meu coração, um mês pra não pirar. Quem inventou a saudade, por favor, tenha a fineza de desinventar ou ao menos, me ensine a com ela lidar!

[um ponto pela rima!] 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Arnaldo Jabor