Na verdade eu escrevi uma carta. Umas mil cartas, umas mil vezes. Risquei, apaguei, joguei fora algumas, outras tantas guardei. Na gaveta e dentro de mim. Um emaranhado de palavras, mais sem sentido que minhas ações, mais confuso que o roteiro de Lost. Tudo o que eu disse foi nada perto do que eu queria dizer. Como bem disse meu querido Sabino (o Fernando): "O importante não é dizer. Certas coisas não se dizem, porque dizendo, deixam de ser ditas pelo não-dizer, que diz muito mais." Ele estava certo, mas nem todo mundo sabe disso. Ou entende. Você não entendeu, tudo bem, não era sua culpa. Nem minha. É assim mesmo que é. Amar é entender sem palavras, é saber sem perguntar. Não saber dizer, não saber falar também faz parte de amar. Só que nosso amor era diferente. E nós nunca deveríamos ter estraga-lo. Esse tipo de amor deve permanecer puro, intocável, de tão frágil que é. Mas na nossa ignorância ele foi rachado, quebrado, quiçá pra sempre. Agora é tarde, e tudo bem, sabe. Você sempre dizia que algumas não são pra ser e agora eu entendo. Apesar de tudo foi melhor assim, nós sabemos.
Queria dizer que eu perdoo a mim, e perdoo você. E espero que você faça o mesmo.